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CULTURA

Payne, en una Europa a sangre y fuego 

El historiador recorre las guerras civiles y revoluciones
del siglo XX en su nuevo libro

MANUEL DE LA FUENTE, MADRID
«Siglo XX, cambalache, problemático y febril»,
compuso el tanguero Enrique Santos Discépolo.

Quizá quería decir, siglo XX, matanza, carnicería, genocidio. Sangre sudor y lágrimas que Churchill pidió a su pueblo y que derramarían generosamente durante años las naciones de medio mundo, en una serie de enfrentamientos y degollinas que culminaron en la terrorífica escabechina de la II Guerra Mundial. Pero desde principios de siglo se habían producido luchas terribles que enfrentaron, principalmente, a fascistas y antifascistas, mejor aún, a fascistas y, casi sólo con la excepción española, donde el anarquismo era poderoso, a fascistas y comunistas. Esos senderos de apenas gloria y una violencia telúrica desatada son los que recorre el historiador norteamericano Stanley G. Payne (foto) en su nuevo libro, «La Europa revolucionaria. Las guerras civiles que marcaron el siglo XX» (Ed. Temas de Hoy).

La izquierda, sobre todo la española, siempre ha pensado que la Segunda Guerra Mundial no empezó con la invasión nazi de Polonia, sino que venía gestándose desde antes, en las calles de media Europa. «No creo en esta interpretación —asegura categórico Payne—. La Primera, aunque terminó en algunos enfrentamientos civiles, fue una guerra clásica entre estados nacionales e imperios. En cuanto a la Segunda, hubo una guerra principal y unas guerras paralelas, la mayoría luchas por la liberación, y alguna guerra civil como la yugoslava y la griega. Para mí, el concepto de guerra civil europea es una exageración».

Una guerra «muy especial»
En este desolador panorama, los españoles nos entregamos al frenesí cainita, al furor fratricida. «La Guerra Civil española es muy especial —describe el historiador—. Fue la única que tuvo lugar en el occidente europeo y su revolución no era comunista sino anarquista y socialista. También tuvo importancia desde el punto de vista militar, estratégico y armamentístico. Y por último, otra peculiaridad: en las guerras
civiles de Europa, cuando ganaban los contrarrevolucionarios lo normal fue que establecieran un sistema parlamentario; en España, sin embargo, acabó en una férrea dictadura semifascista».

Tampoco cree Payne que otro desenlace de nuestra contienda hubiese tenido alguna consecuencia: «Desde luego, Hitler no desató la guerra porque Franco ganara en España. No creo, como hacen los republicanos, que la guerra española fuera la primera batalla de la Guerra Mundial».

Finalmente, cabe preguntar: ¿está Europa totalmente vacunada contra las guerras civiles? «Esos conflictos fueron consecuencia de la convergencia de una serie de factores económicos, sociales, tecnológicos... que ni ahora ni en el porvenir inmediato se van a producir».
Bienvenidas sean las palabras de Payne. Sólo nos queda tocar madera.
13.02.2011
Neuropsicologia

Distúrbios de memória e  esquecimentos benignos 

Maria Alice de Mattos Pimenta Parente
Irene Taussik *



 
Freqüentemente, o envelhecimento está associado a dificuldades de memória e à lentidão de raciocínio. Nesse sentido, acredita-se que idosos ficam com dificuldades em lembrar e compreender situações novas que lhes são apresentadas rapidamente, mas em contrapartida, superam os jovens em raciocínios que exigem maior "sabedoria".

A Neuropsicologia, uma área do conhecimento que investiga as relações entre cérebro e cognição e que, atualmente, tem como uma área de pesquisa prioritária o envelhecimento, de uma forma genérica, tem mostrado que essas afirmações do senso comum apresentam alguma base científica, mas uma análise mais minuciosa do declínio cognitivo durante o envelhecimento mostra que tais constatações são apenas parcialmente verdadeiras. Apesar do declínio de algumas capacidades de memória (mas não todas) ser mais acentuado do que o das capacidades lingüísticas (que envolve conhecimentos aprendidos durante a vida do indivíduo) nesse artigo tentaremos mostrar que (1) existem diferentes memórias e que apenas algumas sofrem um decréscimo durante o envelhecimento; (2) que outras funções cognitivas, como atenção e planejamento podem afetar tanto a memória como a compreensão de linguagem e que (3) outros fatores de ordem biológica (alimentação adequada) ou psicológica (estado de humor positivo) influem na manutenção das funções cognitivas. Outras causas que provocam um declínio das funções cognitivas e que podem ser tratadas durante o envelhecimento indicam alguns caminhos para um envelhecimento cognitivo mais estável. Em outras palavras, a Neuropsicologia tem demonstrado que a crença de que o envelhecimento constitui um período de declínio inevitável está sendo atualmente desafiada, considerando o aumento de sujeitos que envelhecem não apenas de forma ativa e independente como também de forma criativa. 

Através do estudo de dificuldades de memória resultantes de uma lesão cerebral, ocasionada, por exemplo por um acidente de trânsito, ou por uma invalidez de guerra, a Neuropsicologia Cognitiva confirmou a existência de múltiplos sistemas de memória. Assim, atualmente acredita-se que a memória não é unidade. Ela pode ser classificada por diferentes aspectos, como o aspecto temporal. Algumas lembranças fazem referência a conhecimentos recentemente adquiridos. O mecanismo de memória dessas lembranças chama-se Memória de Curto Prazo. Outras lembranças, ao contrário, fazem referência a conhecimentos adquiridos há muito tempo. Elas estão armazenadas numa memória chamada de Longo Prazo. Com relação à essa dicotomia, os idosos têm muito mais facilidade em buscar informações da Memória de Longo Prazo do que da de Curto Prazo.

Um tipo de Memória de Curto Prazo, muito afetada pelo avanço da idade, é aquela chamada Memória de Trabalho ou também Memória Procedural. É uma memória que torna uma pessoa capaz de fazer uma tarefa complexa que envolve duas ou mais atividades que precisam ser realizadas ao mesmo tempo. Por exemplo, ficar guardando um número de telefone enquanto procura-se um lápis e um papel para anotá-lo. Esse tipo de memória envolve muita atenção, e com a idade, a atenção fica bastante prejudicada. 

Um outro tipo de memória também bastante afetado no envelhecimento é uma memória que está dirigida para os fatos do futuro, vulgarmente chamada de "memória de agenda". Seu nome científico é Memória Prospectiva. Alguns exemplos são: lembrar de tomar um medicamento a cada 4 horas; lembrar de ir ao médico em tal dia, etc. É uma memória direcionada ao que se passa no dia-a-dia de cada pessoa. Ela também exige muitos mecanismos atencionais, mas também outros mecanismos cognitivos importantes: planejamento, intenção e motivação. Para lembrar-se de tarefas futuras é preciso: (1) fazer um bom planejamento das atividades do período até a ação que deve ser memorizada; (2) ter uma intenção forte de lembrar de realizá-la para ser capaz de ativar a lembrança no momento certo e, consequentemente, (3) ter um alto grau de motivação, ou seja, querer realizar tal tarefa. Sem motivação, um planejamento adequado não é realizado e a intenção torna-se muito frágil para ativar uma lembrança que se faz necessária.

Assim, podemos observar que as falhas de memória podem ser decorrentes de dificuldades outras do que o guardar a lembrança e depois buscá-la. Como nos tipos de memória acima citados existe um envolvimento de motivação, atenção e intenção, é muito fácil entender que pessoas que não possuem um humor positivo (ou seja, aquelas que são depressivas ou ansiosas) apresentem dificuldades de memória bastante graves, não conseguindo organizar seu dia-a dia de forma adequada.

Existe um alto índice de depressão e ansiedade no idoso, muitas vezes em função de um certo isolamento causado pela perda ou distanciamento de familiares ou colegas de trabalho, pela mudança de um estilo de vida, não muito valorizado, etc. Entretanto, esses distúrbios emocionais são freqüentemente encontrados em adultos jovens devido a problemas afetivos ou a uma grande exigência de seu meio social. Em conseqüência, adultos mais jovens buscam os serviços de neuropsicologia com queixas de memória, preocupados por apresentar um declínio cognitivo de tipo demencial. 

Até aqui focalizamos tipos de memória que são muito afetadas nos idosos. Entretanto, a memória denominada Memória Semântica, aquela que guarda o significado de objetos e fatos, parece bastante mantida. Quanto à memória de eventos pessoais, ela fica preservada para os eventos relacionados a períodos da infância, adolescência ou da vida adulta do idoso. É conhecido o fato de que idosos lembram-se com detalhes fatos antigos, e conseguem contar histórias bastante ricas em detalhes e coerência. Não apresentam dificuldades de compreensão de histórias se for pedido a fazer um resumo e uma interperetação pessoal. Podem esquecer de alguns detalhes, devido a falhas de memória de curto prazo (de tipo memória de trabalho). Muitas terapias de adaptação do indivíduo a uma idade mais avançada incluem o enriquecimento e a valorização de auto- biografias, dando um significado novo à vida do idoso.

Esquecimentos benignos são aqueles que, com freqüência, ocorrem em pessoas ativas que têm possibilidades de desempenhar adequadamente suas tarefas diárias (Kral,1960). Tais esquecimentos podem ser: não se lembrar de um nome, mas "ter a palavra na ponta da língua; ir buscar alguma coisa e se esquecer do que ia fazer, etc. Geralmente, eles são compensados espontaneamente pelo indivíduo, mas podem causar alguns problemas graves. Por exemplo, foi o relato de uma funcionária: "eu chegava muitas vezes atrasada no meu trabalho, pois no meio do caminho lembrava-me que tinha esquecido algum material importante para as reuniões daquele dia. Resolvi buscar ajuda de um profissional da área da saúde, depois de uma repreensão de meu chefe". 

No exame neuropsicológico, os pacientes com esse tipo de esquecimento apresentam capacidades normais em quase todas funções cognitivas, salvo as de memória. Algumas vezes, eles têm dificuldades em provas de atenção, o que podem ser a causa das falhas de memória. No idoso, o esquecimento benigno caracteriza-se por uma inabilidade em recordar informações menos importantes, detalhes de uma história ou nomes de personagens. Entretanto, o conjunto das idéias essenciais de uma história é bem compreendido. Em um momento, a pessoa esquece de alguma informação, em outro, ela é recordada sem problemas. 

O esquecimento benigno afeta ambos os sexos. As causas mais freqüentes de esquecimento benigno são estresse, alguns distúrbios afetivos leves e idade avançada. O declínio cognitivo tende a aumentar a partir dos 85 anos, quando existe um risco maior de desenvolver uma demência. Por enquanto ainda é difícil prever se esses esquecimentos vão piorar e tornar-se uma doença degenerativa. Pesquisas que estudaram a evolução de grandes grupos com queixas de esquecimento benigno observaram que metade dos pacientes não piora. Parte desses pacientes tem distúrbios afetivos, como depressão e ansiedade, cuja terapia psicológica ou medicamentosa provoca também uma melhora dos esquecimentos.

Infelizmente, 50% dos pacientes, diagnosticados como portadores de esquecimentos benignos, evoluem para a doença de Alzheimer. Essa doença, que se inicia com sintomas muito parecidos aos esquecimentos benignos é irreversível e, progressivamente, as dificuldades em todas áreas da cognição (como linguagem, atenção e raciocínio) vão tornando-se mais graves.

Atualmente, ainda existe um enorme desconhecimento sobre o que significa um envelhecimento cognitivo normal, respeitando suas limitações características, e como distingüí-lo precocemente de um envelhecimento patológico. Assim, ao lado de um enorme investimento nas áreas médicas para buscar formas de estagnar a evolução da doença de Alzheimer, recentemente, uma grande parte das investigações da Neuropsicologia Cognitiva tem se destinado a encontrar "marcadores cognitivos". Esses são sinais ou sintomas que devem diferenciar de forma precoce as manifestações da doença de Alzheimer dos esquecimentos benignos, uma vez que existe uma possibilidade terapêutica para os portadores de esquecimentos benignos. 

De qualquer forma, enquanto os trabalhos de investigação continuam, é importante ressaltar a relevância do diagnóstico precoce das falhas de memória. Conforme as causas dos esquecimentos benignos, a terapia pode ser medicamentosa ou de reabilitação cognitiva. Nesse último caso, os pacientes são encorajados a utilizar estratégias (apoios ou dicas) para suprir as dificuldades de memória ou de atenção, podendo continuar a exercer adequadamente suas atividades diárias.

* Maria Alice de Mattos Pimenta Parente é professora do Departamento de Psicologia do Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Irene Taussik é aluna da Faculdad de Psicologia da Universidad de Buenos Aires 


El consumo habitual de analgésicos aumenta el riesgo de infarto 
Según un estudio de la Universidad de Berna 

C. GARRIDO,  MADRID 
 
Mensaje para aquellos que se han convertido en «adictos» a la aspirina, ibuprofeno o cualquier otro analgésico: su consumo habitual incrementa el riesgo de padecer problemas cardiacos.
Lo dice un estudio de la Universidad de Berna, en Suiza, que afirma que consumirlos de manera continuada durante varios años supone un aumento del riesgo de padecer un infarto de miocardio o un derrame cerebral. 
Desde que en 2004 se retirara del mercado el rofecobix, después de comprobar que era perjudicial para la salud del corazón, ha habido mucho debate sobre la seguridad del consumo de los denominados medicamentos antiinflamatorios no esteroideos (AINE).

La investigación, publicada por «British Medical Journal», incluyó 31 ensayos clínicos y a 116.429 pacientes, que se sometieron a un estudio de control con diferentes analgésicos (naxopreno, ibuprofeno, diclofenac, celecoxib, etoricoxib, rofecoxib y lumiracoxib) y placebo para proporcionar una estimación más fiable de los riesgos cardiovasculares de estos fármacos.

Los resultados concluyen que el riesgo cardiovascular absoluto en personas que consumen analgésicos es bajo, pero en comparación con el uso del placebo, estos fármacos conllevan riesgos importantes.

Los riesgos se multiplican
Por ejemplo, comparados con el placebo, rofecoxib y lumiracoxib incrementan dos veces el peligro de sufrir un ataque al corazón, mientras que el ibuprofeono multiplica por tres el riesgo de derrame cerebral. Los niveles de riesgo más altos se dieron con el uso de etoricoxib y diclofenac y los más bajos con el naxopreno.

Peter Juni, profesor de Epidemiología Clínica y uno de los autores de la investigación, ha explicado, en declaraciones a la BBC, que «es necesario extremar las precauciones a la hora de recetar estos fármacos en pacientes mayores que tengan dolores óseos o musculares». 

En cualquier caso, el experto advierte que este hallazgo no afecta a las personas que toman antiinflamatorios «de vez en cuando» para mitigar el dolor menstrual, de cabeza o de las lesiones deportivas. Pero si la persona necesita analgésicos de forma regular, por ejemplo porque tiene artritis, «debe hablar con su médico acerca de qué medicamento es el más adecuado para ellos».
13.02.2011

Mídia expõe imagem
negativa de idosos


A televisão invadiu nossas vidas de tal modo que muitos pesquisadores têm se dedicado a estudar este fenômeno social recente, como o americano George Gerbner, por exemplo, que, em 1993, analisou a questão do impacto da televisão em nossa cultura, e concluiu que a repetição de imagens e mensagens que chegam, ao mesmo tempo e em diversos lugares, e a um número muito grande de pessoas, influi diretamente na socialização, ou seja, na forma como convivem pessoas e gerações. Ele, inclusive, acredita que a visão que a sociedade tem hoje do mundo da velhice é uma construção do marketing comercial.

Todas essas questões envolvendo o convívio entre as gerações e o mundo da velhice motivaram uma série de pesquisas sobre as formas como os idosos são representados na mídia, principalmente na televisão, tanto nos EUA quanto em outros países como Canadá e Grã-Bretanha.
s pesquisas realizadas nas décadas de 70 e 80 diagnosticaram basicamente dois tipos de problemas ligados aos idosos na televisão: ênfase em características negativas e pouca representação dos mesmos. Alguns autores estudaram também as implicações econômicas desses mecanismos de exclusão utilizados pelas agências de propaganda.

Representação social negativa
Muitas pesquisas constataram que as características negativas do envelhecimento eram não somente mostradas, mas também enfatizadas nos programas e comerciais de televisão dos EUA.
O estudo de Northcott, por exemplo, na década de 70, concluiu que a imagem negativa da velhice na televisão era uma constante e os poucos personagens idosos sempre representavam papéis de menor importância e de menor visibilidade.
A pesquisa de Swayne e Greco afunilou mais a questão na década de 80, pois mostrou casos de duplo estereótipo negativo, ou seja, o das minorias idosas na televisão.

Também na década de 80, Dail mostrou que os idosos, muito mais do que qualquer outro grupo social, eram retratados na mídia de forma desagradável e negativa, principalmente com relação às suas habilidades físicas, sua saúde, sociabilidade, personalidade e capacidade de trabalho.

Em contrapartida, os ingleses Wober e Gunter, também na década de 80, realizaram um estudo a partir da opinião pública sobre a imagem da velhice nos programas de televisão. Os 339 participantes preencheram questionários e diários de observação sobre a programação de uma semana da ITV de Londres. De acordo com os participantes, cujas respostas foram analisadas por categorias de idade, gênero, raça, e classe sócio-econômica, não havia baixa representatividade dos idosos na televisão britânica. Eles observaram, entretanto, que a imagem da velhice era menos respeitosa nos programas de ficção (comédias e shows de ação e aventura) do que nos programas de notícias e documentários. Portanto, afirmaram esses autores, as conclusões dos americanos sobre o papel do idoso na mídia não se sustentavam integralmente na Grã Bretanha.


Minoria na publicidade
Outras pesquisas analisaram a baixa representação dos idosos nos programas e comerciais de televisão, e que ocorria devido à ênfase que este meio de comunicação sempre deu à juventude e à beleza, assim como à rapidez e ao tempo condensado.

Uma dessas pesquisas, a de Gerbner e Larry Gross, sobre 10 anos de programação da TV nos EUA (1982-1992), mostrou que os americanos com 60 anos ou mais eram apenas 5.4% dos personagens, embora fossem cerca de 17% da população. Eles observaram ainda que os idosos, apesar de seu crescimento numérico, perderam importância e valor no mundo da comunicação, tornando-se quase invisíveis na televisão, embora representassem a maioria dos telespectadores.

Um outro estudo, o de Elliot, também na década de 80, mostrou que os personagens mais velhos eram 8% de uma amostra de 723 personagens. Ele evidenciou também que havia uma baixa representatividade de mulheres mais velhas em relação aos homens nos EUA.

Na mesma época, Moore e Cadeau estudaram comerciais de estações canadenses e constataram que só 2% deles utilizavam atores idosos, na maioria homens. Por outro lado, dos 4% de comerciais que mostraram as minorias, em menos de 1% apareciam as minorias idosas.

Implicações econômicas
Alguns autores, também da década de 80, ressaltaram nos seus estudos o lado econômico dessa problemática. Diziam eles que, na questão dos comerciais, por exemplo, as empresas, ao ignorar os consumidores mais velhos ou perpetuar os estereótipos negativos sobre a velhice, acabavam deixando de lado um segmento do mercado com grande poder econômico.

Ken Dychtwald, por exemplo, em seu trabalho sobre os desafios e oportunidades dos idosos, salientou que a sociedade foi levada a crer na pobreza das pessoas mais velhas, o que nem sempre é verdade, porque a população mais velha dos EUA, apesar de representar, no final da década de 80, somente cerca de 25% da população, tinha renda alta e controlava uma grande quantidade de dinheiro. Além do mais, dizia ele, a sociedade também foi levada a acreditar no apego dos idosos às suas coisas, esquecendo-se da sua disposição em trocar o velho pelo novo, desde que conveniente.

A realidade dos anos 90 nos EUA Na década de 90, Meredith Tupper realizou uma pesquisa para examinar se os problemas identificados nos anos 70 e 80, ou seja, a subrepresentação dos idosos e a imagem negativa da velhice na televisão ainda podiam ser identificados. Foram analisados 278 comerciais de uma semana de programação (60 horas), mostrados, entre 20h e 23h, nas quatro maiores redes dos Estados Unidos (ABC, CBS, NBC, e Fox), em novembro de 1994.

Foram catalogados 829 personagens, 68 (8,2%) dos quais eram idosos, presentes apenas em 42 (15%) dos comerciais, sendo que somente em 6 deles os idosos interagiam com jovens, adultos e crianças. Os personagens idosos de cada um dos comerciais foram então catalogados e analisados por categorias. A analise por gênero mostrou que 39 dos 68 personagens idosos eram homens, apesar das mulheres serem maioria nos EUA em 1990. A análise por raça foi feita com base em critérios culturais, e evidenciou a imensa maioria (84%) de anglo/europeus, em detrimento de afro-americanos e outros. As análises por ênfase do personagem no comercial e por locação do mesmo, e dos produtos anunciados não revelaram, entretanto, estereótipos negativos vistos nas décadas anteriores.

A conclusão desse estudo é que a imagem do idoso nos comerciais de televisão era menos negativa do que se pensava. O que parece ter ocorrido é que os resultados das pesquisas anteriormente efetuadas mudaram as formas da propaganda mostrar o idoso. Entretanto, concluiu a autora, é verdade que foram reduzidos os estereótipos sobre a velhice na televisão, mas reduziram-se também as oportunidades dos personagens idosos, ainda pouquíssimo presentes nas propagandas.

A realidade brasileira
No Brasil, como em outros países, estudos sobre os idosos também têm sido realizados, analisando jornais e revistas, entre outras mídias, e com enfoques mais qualitativos do que quantitativos.

Solange Maria de Vasconcelos lança algumas luzes sobre a questão, através de uma abordagem semiológica. Após trabalhar conceitos e caracterizações da velhice, a autora fez reflexões sobre os mitos que a sociedade tem construído e perpetuado a respeito do "velho", buscando os sinais destes mitos na análise do discurso publicitário das revistas Cláudia e Veja, desde a década de 1960 até a virada do milênio.

Esse estudo constatou que as propagandas utilizando idosos, ou a eles dirigida, sempre foram muito poucas em relação ao total, oscilando entre 0,24% e 4,83%, dependendo do período e do veículo analisado. Por outro lado, o estudo da simbologia dos anúncios publicitários confirmou "a hipótese de que no início da década o Brasil tratava o "velho" com indiferença e só com a descoberta de um mercado de consumo ligado a este gênero é que o mesmo ganhou importância social".

Nas décadas de 20 e 30, os idosos, quando apareciam em anúncios, eram sempre ligados a produtos farmacêuticos, o que começou a mudar, principalmente a partir das décadas de 50 e 60, e mesmo 70. Nestes períodos, os idosos já eram mostrados no meio de suas famílias, em anúncios de higiene pessoal, cosméticos, roupas, alimentos, e mesmo de instituições financeiras, mas sempre como figurantes, não como personagens principais, no máximo exercendo os seus papéis tradicionais de avós.

Nas décadas de 80 e 90, já se pôde perceber uma mudança substancial, pois os idosos começaram a ser conclamados a adquirir valores mais modernos, como participação social, segurança, auto-estima, tudo isso através da compra dos novos e revolucionários eletrodomésticos e eletroeletrônicos, assim como automóveis e serviços bancários. Essa tendência a encarar os idosos como consumidores potenciais foi mantida na virada do milênio, quando eles continuaram a ser conclamados a comprar automóveis, aparelhos de telecomunicações e de computação, entre outros.

Portanto, no Brasil, como nos EUA, as pesquisas indicam que houve mudanças nas formas como as propagandas comerciais se referem ou se dirigem aos idosos, os quais, hoje, não são mais caracterizados de formas tão negativas como já o foram no passado. Mas também aqui, como nos EUA, os idosos continuam a ser muito pouco representativos nas propagandas, se formos considerar a totalidade das mesmas.


Referências bibliográficas

Dail, P. W. (1988). Prime-time television portrayals of older adults in the context of family life. The Gerontologist, 28, 700 - 706.

Dychtwald, K. (1988). The challenges and opportunities of an aging America. Los Angeles: J. P. Tarcher.

Elliot, J. (1984). The daytime television drama portrayal of older adults. The Gerontologist, 24, 628-633.

Gerbner, G. (1993). Learning Productive Aging as a Social Role: The Lessons of Television, in Achieving a Productive Aging Society, Bass, S.A., Caro, F.G., and Chen, Y.P., eds. Westport, Conn.; London: Auburn House.

Moore, T. E. & Cadeau, L. (1985). The representation of women, the elderly and minorities in Canadian television commercials. Canadian Journal of Behavioural Science, 17, 215-225. Northcott, H. (1975). Too young, too old - Aging in the world of television. The Gerontologist, 15, 184 -186. Swayne, L. E. & Greco, A. J. (1987). The portrayal of older Americans in television commercials. Journal of Advertising, 16, 47-54.

Vasconcelos, Solange Maria. (2001). O "velho" na Publicidade Brasileira. Dissertação de Mestrado, UMESP- Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo.

Wober, M. & Gunter, B. (1982). Impressions of old people on TV and in real life. British Journal of Social Psychology, 21, 335-336.
Reportagem publicada anteriormente na revista IdadeAtiva.

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13.02.2011
ENCUENTRO Umberto Eco - Javier Marías

Diálogo politeísta

WINSTON MANRIQUE SABOGAL

Dos de los más influyentes intelectuales de hoy hablan sobre literatura, el ciberespacio, la libertad de expresión y la ruptura de cánones tradicionales. Del presente y el riesgo de sus consecuencias

Tan pronto se ven, Umberto Eco se apresura hacia Javier Marías que sorprendido ve cómo el escritor italiano se inclina ante él en una reverencia teatral, diciéndole: "Majestad"; a lo que Marías, saliendo de su sorpresa y con una media sonrisa, contesta casi en susurro: "Duque". Y empiezan a reír mientras se abrazan. Dos años antes, Marías, como rey literario de Redonda, había nombrado a Eco Duque de la Isla del Día de Antes.

Eco: "Internet es la vuelta de Gutenberg. Es una civilización alfabética, y el que no lea y escriba rápidamente se queda fuera"

Marías: "Parte de la población tiene nostalgia de esa antigua idea de Dios, de ser observado. Por eso van a la tele e Internet"

Es la una y media del lunes 13 de diciembre de 2010. Están en el restaurante Balzac de Madrid en el primer diálogo que sostienen para un medio de comunicación, invitados para este número 1.000 de Babelia, y que harán en italiano como una cortesía de Marías con el profesor Eco. Cuando se sientan alrededor de la mesa redonda donde almorzarán, el semiólogo italiano (Alessandria, 1932) se queja de dolor de garganta y cuenta el trajín en que anda por la promoción de su último libro, El cementerio de Praga (Lumen), y el narrador y académico español (Madrid, 1951) desvela que acaba de terminar una novela que saldrá en primavera: Los enamoramientos (Alfaguara). Es el preludio de una conversación que se extenderá durante dos horas y terminará con ellos paseando y posando para el fotógrafo en un punto de encuentro simbólico de lo que aún no saben que van a decir.

JAVIER MARÍAS. Hace poco escribí en una de mis columnas de El País Semanal, a propósito de su última novela, tan criticada por L'Osservatore Romano, que pensaba que se había superado aquello de que en las artes las obras tuvieran que tener un carácter moral o edificante. Un hallazgo por parte de esa crítica, aunque para ellos era negativo, es que decía algo parecido a que su novela era un voyeurismo amoral.

UMBERTO ECO. ¡Es que esto es la novela, eso es una novela!

J. Marías. Justamente una novela es lo contrario de un juicio.

U. Eco. Deja abierta la puerta a las contradicciones.

J. Marías. Aunque hay novelistas que todavía se sienten como jueces, es una cosa extraña. Eso del voyeurismo amoral está muy bien visto. Porque una novela, a menudo, es así, el novelista no tiene que juzgar, tiene que mostrar, a veces explica lo que ha sucedido, cómo se ha llegado a este punto, pero eso no quiere decir que se justifique o que se ensalce el tema o presuma.

U. Eco. Luego está el lector que tiene la tendencia, o la mala fe, de atribuir al autor lo que piensa el personaje.

J. Marías. ¿No es preocupante en el sentido de que es volver a cierto primitivismo?

U. Eco. Usted escribe novelas, el 20% las leen de forma correcta, el resto equivocada.

J. Marías. Esto ha vuelto con fuerza. Yo escribo con un narrador en primera persona desde hace 20 años, y se tiende a confundir al narrador con el autor, con el yo.

U. Eco. Cuando publiqué El nombre de la rosa me escribió un lector preguntando por qué afirmaba que la felicidad consiste en tener lo que se tiene. ¡Yo nunca he dicho eso, es una tontería! Fue un personaje.

J. Marías. Esa idea de que las novelas deben tener un mensaje o dignificar algo es un primitivismo raro que ha vuelto.

U. Eco. Es una idea católico-marxista.

J. Marías. Pero el marxismo no...

U. Eco. El realismo socialista quería que las novelas tuvieran un mensaje y hablaran de los problemas del pueblo... Mi respuesta es que una novela tiene un mensaje, pero hay que trabajar mucho para comprenderlo, requiere esfuerzo, no te lo da el autor.

J. Marías. Un mensaje que se podría buscar fuera del libro.

U. Eco. O muchos. La Odisea tiene múltiples mensajes.

J. Marías. En cierto sentido surge por la promoción de los libros. No sé usted, pero yo a veces al escribir una novela me encuentro con que tengo una idea vaga sobre qué es esta novela, aparte de la historia misma, y algunos aspectos que no son claros para mí. Pero una vez terminada la entiendo un poco mejor. Entonces llega la promoción, las entrevistas, donde se espera que el autor diga: "Lo que he querido decir es esto". Y uno se ve obligado a afirmar algo o defender una idea que luego es tergiversada. Si no hubiera entrevistas y cierta necesidad de banalizar, de encontrar un eslogan...

U. Eco. Yo intento humillar a los que hacen estas preguntas, desafiar, hacer que se sientan algo estúpidos. Cuando me preguntan: "¿Con qué personaje se identifica?", contesto: "¡Con los ad-ver-bios!". Se quedan estupefactos. Es verdad, los escritores nos identificamos con los adverbios.

J. Marías. Pero para hacer esto hay que ser usted.

U. Eco. ¡No, no!, hay que ser bastante malos

...Y, en cambio, nadie habla del estilo de la novela, de la construcción. La gente lee lo que dices y no le interesa la manera en que lo dices.

J. Marías. La palabra estilo desapareció del vocabulario, ni los críticos la usan.

U. Eco. Es la manera de formar, de hacer.

J. Marías. Y sin duda hay autores que reconocemos. (...) Otro aspecto de los idiomas es cómo están desapareciendo cosas normales y se construyen mal las frases. Se está reduciendo el vocabulario.

U. Eco. Sí, sí.

J. Marías. Recuerdo que mi madre, cuando yo era adolescente, si me preguntaba o pedía algo, y yo respondía de cualquier manera, me decía: "Por favor, no seáis tacaños con la lengua". Hoy la gente es algo tacaña.

U. Eco. Ocurre también con la escritura

... Luego está esa discusión sobre la literatura tradicional y experimental. Se trata de una diferencia un poco como derecha-izquierda, que en política ya no tiene sentido. La izquierda es el único partido conservador, porque quiere conservar la Constitución, el Parlamento. Así que la vanguardia y la literatura tradicional es una distinción que nació con la llegada del arte pop y de la posmodernidad, hacia mediados de los sesenta, cuando ya en la novela comercial se empezaba a usar el monólogo interior, que antes era un escándalo joyceano. Los narradores suramericanos, García Márquez, etcétera, redescubrieron la historia que había estado prohibida, pero se descubrió de forma más irónica. Hay una serie de barreras tradicionales. Recuerdo en Italia, en tiempos del grupo del 63, del que ya no hay un rostro emblemático, cuando un músico de vanguardia, Berio, escribió un ensayo sobre el rock, y otro músico de vanguardia, hablando de los Beatles, dijo: "Trabajan para nosotros"; y yo contesté: "¡Pero tú también trabajas para ellos!". Ya entonces había mezclas. Así que no diferenciaría tan claramente lo tradicional de lo experimental. Hay autores que se reconocen de forma inmediata, pero siempre los ha habido, el problema no es ése. En las obras comprometidas no hay una literatura experimental pura.

J. Marías. Lo que se llama experimental envejece cada vez más fácilmente, o se convierte en algo tradicional, o se incorpora a los usos normales. Hay una flexibilidad mayor. Siempre ha habido una enorme capacidad para hacer esto; aunque antes había un poco más de resistencia. Hoy no. Hoy normalmente todo se incorpora, todo se vuelve viejo, antiguo. El presente se convierte en pasado cada vez más rápido. Incluso en el momento en que un libro ya está disponible, parece que ya es pasado.

U. Eco. Algunas cosas resisten el paso del tiempo. Por fortuna existe este mecanismo, de lo contrario no permanecería nada, ni Sófocles, ni Eurípides...

...Y las palabras de Eco y Marías se entrecruzan animadas por el mundo clásico, hasta que dan un salto de 2.500 años para volver al umbral de esta era del ciberespacio cercada de incertidumbres y quejas por una supuesta incultura en plena revolución del aprendizaje y la comunicación de saberes y relaciones personales y emocionales. Entre bocado y bocado, sus palabras van a empezar a señalar lo mejor y más terrible de ese presente y sus consecuencias.

U. Eco. Internet es la vuelta de Gutenberg. Si McLuhan estuviera vivo tendría que cambiar sus teorías. Con Internet es una civilización alfabética. Escribirán mal, leerán deprisa, pero si no saben el abecedario se quedan fuera. Los padres de hoy veían la televisión, no leían, pero sus hijos tienen que leer en Internet, y rápidamente. Es un fenómeno nuevo.

J. Marías. Esto sería una ventaja.

U. Eco. Es el aspecto positivo.

J. Marías. Pero lo que decíamos sobre el lenguaje, de la generalización del uso del ordenador...

U. Eco. Ése es otro problema, no tiene nada que ver. No creo que el lenguaje se empobrezca, ¡cambia! El inglés es un lenguaje sintácticamente muy pobre en comparación con el francés, el italiano o el español; pero puede decir cosas maravillosas. Por lo tanto, se simplifica, pero puede decir muchas cosas. Las lenguas funcionan.

J. Marías. A veces tengo la sensación de que el exhibicionismo general es omnipresente en estas formas de comunicación. En Internet, por ejemplo, si pones una cámara puedes ver una habitación a todas horas; hay personas que tienen contacto entre sí para ver cómo duermen o preparan la comida, lo que no sería un espectáculo... A veces tengo la sensación de que esto guarda cierta relación con la pérdida progresiva de esa antigua idea, que ha acompañado a los hombres durante siglos, de que Dios lo veía todo, de que Dios los observaba a todos y que absolutamente NADA escapaba a su mirada y escrutinio. De alguna manera, esa idea, que aún tienen algunos de los que leen L'Osservatore, era algo terrible, pero que también consolaba, al haber un espectador que conocía nuestra vida. Aunque fuera la persona menos importante del mundo, había alguien...

U. Eco. ¡Un señor que pagaba una entrada para verte y luego juzgarte!

J. Marías. Te castigaba o premiaba. Al menos existías para alguien. Y esta creencia, obviamente, hablando en términos generales, se ha perdido. Creo que una parte de la población, de forma inconsciente, tiene nostalgia de esa idea. Había una enorme necesidad de ser contemplado, de ser observado.

U. Eco. Hoy van a la televisión o Internet.

J. Marías. Sí... Responde a esa nostalgia vieja de la idea de Dios.

U. Eco. Interesante. Si no, no se explica cómo tienen esta necesidad tremenda de dejarse ver, hasta cuando hacen caca. Y yo digo: ¿por qué?

... ¡Es el aspecto más terrible e importante de la civilización en la cual vivimos! En Italia han sido asesinadas unas jóvenes, y cada noche hay programas de televisión que hablan de ello, ¡es vergonzoso!, porque se hace espectáculo de estas muchachas. Y el único consuelo por haber perdido a tu hija es salir en la televisión.

J. Marías. Ha hablado de consolación. Hay un elemento crematístico, evidentemente. Una ventaja para ellos porque al menos obtienen dinero y audiencia

U. Eco. ¿Pero por qué necesitan la audiencia y explotan incluso la muerte de su hermana y van a la televisión para que les veamos? Volvemos a la tesis de Javier Marías.

J. Marías. Lo que es extraño es que, también, se quiera mostrar la pena. Había cosas que tradicionalmente no se enseñaban.

U. Eco. Hay gente que va a la televisión a decir: "Tengo cáncer. No me voy a callar. Voy a la televisión para que me conozcáis, para que sepáis que existo y ayudo a otros". Ésa es la justificación.

J. Marías. La gente dice ahora, en lugar de "quiero contarte", "quiero compartirte esta experiencia", o "quiero compartir contigo esta experiencia", en lugar de "quiero contarte". Se busca involucrar a otros.

U. Eco. Una frase que ya no se usa es: "A Dios pongo por testigo de", al menos él sabe que yo soy así. Ahora es "pongo a la televisión por testigo, la comunidad". Hay una comedia italiana donde el nombre es una propiedad privada, no debes difundirlo. Y está el dicho de que los trapos sucios se lavan en familia. Antes la privacidad, el mantenerlo todo oculto, era fundamental. Hoy es todo lo contrario. Y cosas peores. No sé el porqué de esa necesidad de que nos vean o de vampirizar vidas ajenas. La explicación sobre la nostalgia de Dios es la más lógica.

J. Marías. Hay un elemento que también tiene que ver con todo esto: son las filtraciones de Wikileaks. Hay algo extraño y divertido

... Normalmente se nos prohíbe saber cosas, sobre todo si son de personas poderosas o con responsabilidades, y verlas ridiculizadas, el rey desnudo, o si meten la pata, eso se entiende. Lo que no entiendo es que después de este pequeño fenómeno haya gente que pida la transparencia: "Basta. Tenemos que saberlo todo. Tenemos que saber qué hacen los servicios secretos, los diplomáticos, lo que piensan". Pero ¡cuidado!, la hipocresía, la doblez, forma parte de la educación; es más, de la civilización. Si hubiera una transparencia general habría muchos más homicidios. Todos hablamos mal de vez en cuando de todos, cuando no están presentes, y también de las personas que amamos. Siempre hay objeciones. Probablemente si estas personas a las que queremos supieran cuáles son nuestras objeciones se olvidarían de todo lo positivo que pensamos de ellas y se obsesionarían con esa pequeña objeción que han conocido y que no habrían debido saber, y sería un desastre.

U. Eco. Las medidas diplomáticas están en la base de la convivencia civil.

J. Marías. Es una cuestión de civilización, es un logro.

U. Eco. Yo no digo: "No voy a cenar contigo porque eres aburrido". Digo: "No voy porque tengo un compromiso".

J. Marías. Entonces, pedir la transparencia general es también algo que iría en contra de los intereses de todos. Porque si todo fuera así se despediría más fácilmente a la gente. Tenemos esa tendencia, este desahogo. Es normal que haya personas que intenten saber lo que no se debe saber, pero también es normal que otras intenten evitar que las cosas se sepan. Lo ridículo es la pretensión de ciertas personas de que los que tienen el deber de evitar que las cosas se sepan renuncien a ese deber. Lo que no se puede es pedir la rendición total de los demás. Y con Wikileaks estoy sorprendido de que no se hubieran dicho cosas más brutales o que no intuyéramos. Son diplomáticos contenidos, educados. Me parece divertido... Es extraña esta pretensión, no entiendo estas ganas por saber todo.

U. Eco. Sí, sí. Y con esta ruptura del pacto de hipocresía, que es un pacto social fundamental ("estoy encantado de conocerle", no estoy encantado, pero hay que decirlo) hemos entrado en una nueva era virtual de la información donde todo es más vulnerable y frágil. Al final tendremos que encontrar otros modos de confidencialidad. ¿Cuáles serán? No lo sabemos. Con Internet ya no es posible ninguna censura. Mire a Julian Assange, es para tirarlo al retrete, o a la basura, pero lo que ha hecho lo han sabido todos. Alguien dijo una vez que si hubiese existido Internet el Holocausto no habría sido posible, porque nadie podría haber dicho: "No lo sabía". En China no han aceptado el Premio Nobel de la Paz pero en China lo han sabido muchos. Lo que se está perfilando, y ya lo escribí años atrás, es un nuevo 1984 con la clase dirigente que tiene acceso a Internet y los proletarios que no tienen acceso, que ven la televisión. ¿Hacia qué futuro nos dirigimos? ¿Habrá más proletarios o más clase informatizada? Porque si un ordenador costara diez euros, quizá mil doscientos millones de chinos lo tendrían, y entonces serían menos los proletarios que los informatizados. Y la censura ya no podría funcionar. Pero si se mantiene una proporción como la actual será todo lo contrario, se puede seguir censurando.

J. Marías. Si se rompe la baraja y se extiende la transparencia, probablemente los ciudadanos tienen siempre las de perder ante la posibilidad de intrusión en sus vidas por parte de los Gobiernos, ya que es mucho mayor que al revés. Es el peligro que veo en esa legitimación de que se sepa todo...

U. Eco. Hay gente que lee Internet y no tanto los periódicos, pero quienes usan el ordenador no son por fuerza los más informados, porque si no leen los periódicos no están lo suficientemente informados. Así que los problemas de censura y libertad son difíciles de definir hoy, no son tan sencillos como antes.

J. Marías. Yo recuerdo una cosa que mi padre decía, y que escribió en un artículo, sobre que el hombre contemporáneo corría el riesgo de convertirse en un primitivo lleno de información. Y lo es en cierto sentido. Tal vez no se equivocaba. Y lo decía antes de la existencia, probablemente, de Internet. Hay un exceso de información que quizás impide saber. Ya no hay un filtro, no hay un criterio. Se da importancia a cosas que no tienen ninguna y al contrario. Luego la abundancia, que es un problema porque con el exceso de algo no hay tiempo para ocuparse de ello. Yo aún consulto la enciclopedia.

U. Eco. Yo pertenezco al grupo de los que ve muy cómodo encontrar el dato en el ordenador, soy un estudioso de profesión y no me fío de la primera información. Pero para una persona normal es una dificultad utilizar Internet de forma adecuada. Siempre digo que la televisión ha sido un bien para los pobres, en mi país ayudó a enseñar la lengua italiana, y ha perjudicado a los ricos, no de dinero sino de estudios; y con Internet ocurre lo contrario. Lo preocupante es cómo se enseña a la gente el filtro...

J. Marías. A la gente no le interesa filtrar o saber si son ciertas o no algunas cosas. Es una tendencia...

...Y los dos autores siguen explorando los desafíos, riesgos, temores y dudas agazapadas en la Red, hasta que llega el café y la conversación deriva hacia otro tema que involucra a los dos mundos que son uno, tierra y ciberespacio, y que viene de siempre y va para siempre: el duelo, la pugna, entre la belleza y la fealdad. Con Internet añadiendo más confusión. Es la era del politeísmo estético y de la industria de la fealdad y de las ideas. A una media hora de que el encuentro acabe, Eco y Marías están a punto de descubrirse a sí mismos diciendo que se ven como un anacronismo.

U. Eco. En el último capítulo de mis ensayos sobre la belleza y la fealdad, referido al mundo contemporáneo, hablo del politeísmo de la belleza, de las distintas épocas en las que había diferentes modelos. Hoy valen todos esos modelos, y los medios de comunicación han contribuido a difundir diferentes modelos de mal gusto. Ahí entra la iluminación en Navidad, que ha cubierto los monumentos con unas luces feísimas. Se ha cubierto todo de bombillitas y a la gente le gusta. Ya no hay criterios para distinguir. Por lo tanto, la belleza y la fealdad se convierten sólo en hechos de clase: la belleza para los ricos y la belleza para los pobres. ¿Pero es cierto que antes no era así?, me pregunto. Sabemos que en la antigua Roma había una comedia de Terencio, y en el anfiteatro una lucha de osos, pues algunos abandonaban el teatro y la comedia de Terencio y se iban a ver la lucha de osos. Los intelectuales lamentaban que la gente hubiera abandonado a Terencio para ir a ver a los osos. Y mientras Miguel Ángel hacía la cúpula de San Pedro había espectáculos callejeros que eran modelos de mal gusto, probablemente. Por eso no puedo ser tan severo con ese politeísmo de la belleza y la fealdad, porque tal vez creemos que en alguna época haya habido modelos fijos: la belleza del Renacimiento, del Barroco, son los modelos que se salvaron, pero había infinitos otros que se destruyeron. La pregunta es: ¿por qué se salvaron esos en concreto? Ahí vuelvo a un viejo argumento: en la Poética de Aristóteles se citan numerosas tragedias de las que no sabemos nada, se han perdido. ¿Por qué ésas se han perdido y han sobrevivido las de Sófocles, Esquilo o Eurípides? Hay dos respuestas: porque eran mejores o porque tenían recomendación de otros. Los demás no tenían apoyos. Quizá fueran mejores que ellos, pero no tenían padrinos, así que lo que nosotros identificamos con el gusto clásico de la antigua Grecia, ¿es lo que predominaba entonces o es sólo lo que ha sobrevivido? Y quién sabe, quizá dentro de dos mil años nuestro periodo va a aparecer con el único modelo de belleza o de fealdad que haya sobrevivido; quizás la televisión basura, quién sabe si se identificará con la culminación del arte de nuestro siglo, como ceremonias báquicas.

J. Marías. Tal vez hubo un momento en que la fealdad que el profesor Eco ha estudiado tan bien existía en el arte, pero era algo excepcional. Recuerdo, por ejemplo, la única vez que estuve en Sicilia, en Palermo, y fui a Bagheria; quería ver esas figuras grotescas de la villa Palagonia que habían mencionado Byron, Goethe y gente así que en su tiempo habían viajado expresamente para ver esto, algo horroroso. Figuras grotescas en el jardín de un noble. Esto parecía una excepción que incluso personas como Byron y Goethe iban a ver, como excepción. Lo que no existía hasta hace poco es lo que podríamos llamar una industria de la fealdad. Ahora hay una fealdad industrial totalmente deliberada, como mercado. El valor que podía tener la fealdad de rebeldía, transgresión o de desafío se ha perdido y, en este sentido, ¿qué quedará dentro de dos mil años? No lo sabemos, tal vez algo de este tipo, o tal vez otra cosa. Sobre aquellos que el profesor llama ricos, aunque yo soy un poco proletario, lo cierto es que personalmente creo que me estoy convirtiendo en un anacronismo. Yo mismo soy un anacronismo. No sé si usted también tiene esta sensación.

U. Eco. Esto es siempre un proceso normal de la vejez. Pero no sólo por la edad, sino como usted decía, la gente en lugar de leer a Proust está viendo la televisión, está viendo a Pippo Baudo. Yo, que utilizo el subjuntivo bien, me estoy convirtiendo en un anacronismo...

...Ríen, hacen bromas... La puerta se abre y aparece el fotógrafo. Son las tres y media pasadas. Unas primeras fotos dentro del Balzac. Luego toman cada uno su abrigo, Eco el negro, con su sombrero de paño a juego y su bastón, y Marías el azul marino, y salen a la calle al encuentro de un silencio de amanecer. Guiados por el fotógrafo, caminan calle y media bajo un visillo de nubes grises, sin saber que van estar en un punto de encuentro simbólico de algunos de los temas de los que acaban de hablar: el paseo y jardines fronterizos que unen la iglesia de Los Jerónimos, cerrada por obras, y la ampliación del Museo del Prado. Charlan, posan

... Duque y Rey se despiden. Umberto Eco se marcha en coche a continuar su periplo a cuenta de su polémico El cementerio de Praga; y Javier Marías baja las escaleras que conducen hacia la Puerta de Goya del Prado rumbo a afinar Los enamoramientos.


Javier Marías (Madrid, 1951, académico)
publicará la novela Los enamoramientos esta primavera en Alfaguara.

Umberto Eco (Alessandria, Turín, 1932),
premio Príncipe de Asturias de Comunicación y Humanidades 2000) publicó en diciembre El cementerio de Praga (Lumen)

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12.02.2011
CRÍTICA: PENSAMIENTO

A cualquier cosa le llaman contemporáneo

MANUEL CRUZ *


Hay un pasado del que hay que defenderse: el que se adentra en el presente para ocupar su espacio. Asistimos a una proliferación de discursos con supuesta clave ético-humanista


En alguna ocasión he escrito que no es fácil ser contemporáneo del presente (que nadie me malinterprete: no me cito a mí mismo como si fuera un clásico vivo, sino para advertir al lector de que me estoy repitiendo). El rótulo pensamiento contemporáneo (o filosofía contemporánea) es goloso, sin duda. Hoy intentan atribuírselo especialmente aquellos que tienen más severas deudas con el pasado, confiando -muchos de ellos no pueden ocultar la tradición de pensamiento mágico-religiosa de la que proceden- en que el nombre haga la cosa, y que -viejo ejercicio de logomaquia- baste con reclamarse de un periodo para estar a la altura del mismo. Pero, qué le vamos a hacer, si algún asunto no es cosa de meras palabras es precisamente éste, por más que tales palabras puedan venir sancionadas por una oficina, un negociado, o incluso un departamento de prensa editorial.

Contemporáneo designa una tarea, implica un desafío, que incluso va más allá del esfuerzo -nada menor, por cierto- por hacer inteligible el presente: convoca a hacerlo habitable. De la única forma que el pensamiento es capaz de hacerlo, esto es, produciendo más pensamiento, dando que pensar, cuestionando lo existente, revelando su contingencia. Dejándonos, en definitiva, ante el ineludible reto de explicitar -y decidir- qué queremos hacer con (y en) este mundo. Esto es lo que una y otra vez escamotean esos nuevos contemporáneos del pasado (como ideólogos, sin duda, se les hubiera definido cuando el término ideología todavía era de curso legal) que intentan quedarse con el santo y la limosna de todo lo que hoy estamos en condiciones de pensar.

Que nadie piense que lo anterior constituye una especie de atribución de intenciones al bulto, de imposible especificación. Más bien al contrario, cuesta poco señalar las formas concretas que adopta esta paulina conversión de algunos a la contemporaneidad. Al igual que el reloj parado, que dos veces al día da bien la hora, los personajes a los que me vengo refiriendo (y los denomino así porque, además de ser personas concretas, tienen algo de tipos ideales weberianos) se han encontrado con el inesperado regalo de que algunas de sus posiciones de siempre parecen haber mutado de signo, resultando susceptibles de ser interpretadas, por arte de birlibirloque, como especialmente adecuadas al momento actual: fueron anticomunistas, de matriz inequívocamente conservadora, en el pasado y mantener esa misma actitud ahora -hundimiento del socialismo real mediante- puede hasta llegar a resultar de buen tono en determinados ambientes, incluidos algunos sedicentemente progresistas; abrazaban en su momento, con pío entusiasmo, la identificación entre Estado y una determinada confesión religiosa y hoy se suman con el mismo entusiasmo -aunque con la piedad guarecida a buen recaudo- a la crítica a lo que les encanta denominar laicismo trasnochado, y así sucesivamente.

Si en su momento pudo señalarse que el ocaso de la idea de futuro había convertido el pasado en el territorio de un conflicto (en muchos casos, en el nuevo territorio de la política) en estos momentos convendría reconsiderar esa formulación y señalar que tal vez hoy el territorio privilegiado del conflicto sea la idea misma de contemporaneidad. Sin duda estamos asistiendo a una proliferación de discursos que, utilizando una clave supuestamente ético-humanista (los valores -sin especificar nunca cuáles, por cierto- parecen haberse convertido en el último gran negocio relacionado con las ideas en estos tiempos de inquietante posmodernidad, por decirlo a la manera de Ratzinger), persigue restaurar, maquillándolo apenas levemente, un discurso de raíces profundamente religiosas.

En realidad, estábamos advertidos. Quienes buscan imponer su relectura del pasado lo hacen siempre, por definición, mirando de reojo al presente, esperando que la nueva legitimación obtenida de su revisión les permita, por fin, el asalto de una contemporaneidad que les había sido reiteradamente negada. Pero no podemos hacer como si nada hubiera pasado en materia de pensamiento. El rancio humanismo todavía vigente en el sentido común de nuestra época representa algo distinto a lo que nombra, se nos enseñó hace ya mucho (y se nos indicó muy claramente las oscuridades que de verdad representaba). Hay un pasado que se expande y crece adentrándose en el presente, aspirando a ocupar por completo su espacio, tutelando todas sus representaciones. De ese pasado hay que defenderse. O, cuando menos, no queda otra que intentar resistirse a él. Con las modestas armas que nos han sido dadas (de las que los libros consignados a continuación constituyen una buena muestra). Intentando pensar, a sabiendas de que pensar es siempre pensar desde algún sitio y que, por tanto, la pluralidad es consustancial a la tarea.

Tal vez esta voluntad de resistencia a un determinado pasado constituya una pretensión desequilibrada, pero es mucho lo que se encuentra en juego. Se trata, en última instancia, de no dar completamente por perdida esa pequeña ilusión en la que se dilucida nuestra supervivencia, a saber, la de que lo que hay no es del todo una condena, sino más bien una desafortunada contingencia.

50 pensadores contemporáneos esenciales

John Lechte. Traducción de Carmen García Trevijano. Cátedra. Madrid, 2010. 5ª edición actualizada y puesta al día. 315 páginas. 18,20 euros.

Historia de la Filosofía Moderna y Contemporánea. Diego Sánchez Meca. Dykinson. Madrid, 2010. 694 páginas. 48 euros.

Pirámides de tiempo. Historias y teoría del déjà vu. Remo Bodei. Traducción de Juan Antonio Méndez. Pre-Textos. Valencia, 2010. 228 páginas. 15 euros.

Temperamentos filosóficos. De Platón a Foucault. Peter Sloterdijk. Traducción de Jorge Seca. Siruela. Madrid, 2010. 140 páginas. 16,95 euros.


* Manuel Cruz, premio Espasa de Ensayo 2010 por su libro Amo, luego existo. Los filósofos y el amor, es editor del volumen colectivo Las personas del verbo (filosófico), que se publicará en Herder.
Foto - Tiempo y lugar (2004), de Richard Wentworth

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13.02.2011
James Dean, el mito no envejece

Se cumple el 80 aniversario del nacimiento del actor

Leyenda del cine, símbolo sexual e icono de una generación inconformista, el rebelde James Dean ganó con su muerte un sitio en el edén del celuloide donde su recuerdo burla la vejez en el 80 aniversario de su nacimiento. Tres películas, cuatro años de carrera y un final dramático le bastaron al prometedor Jimmy, como le conocía todo el mundo, para pasar de ser un chico de granja a un mito sin fecha de caducidad. Nunca nadie consiguió tanto en tan poco.

La industria de Hollywood, que sabe ser generosa con sus muertos, quedó encandilada con ese actor de impronta imborrable tras el debut de "Al este del Edén" (1955), primer filme en el que Dean aparecía como protagonista después de trabajar de extra en seis producciones anteriores. Cinta dirigida por Elia Kazan que supo ver el potencial de un intérprete que luchaba por sobrevivir en una profesión en la que el actor se estrenó haciendo anuncios de refresco y en la que, según las malas lenguas, llegó a realizar favores sexuales para abrirse camino.

Talento no le faltaba a Dean, que nació el 8 de febrero de 1931 en Marion, una zona rural de Indiana, estado natal también de Michael Jackson, donde llegó a ser premiado en su adolescencia por su desempeño deportivo y artístico. Apenas 6 años antes de su trágico final al volante de su Porsche en una carretera californiana, Dean terminaba sus estudios de bachillerato y se mudaba a Los Ángeles para cursar primero Derecho y luego Arte Dramático hasta 1952, año en el que puso rumbo a Broadway pensando en que allí encontraría la gloria.

Vivir rápido y morir joven
Tras dos años deambulando por los teatros logró meter la cabeza en un par de obras, "See The Jaguar" y "The Immoralist". Una oportunidad que supo aprovechar y le valió el premio Daniel Blum al actor revelación del año 1954, al tiempo que captó la atención de Kazan. De la noche a la mañana, James Dean sedujo a un Hollywood sediento de artistas carismáticos para alimentar su poderoso "star-system". Su nombre y su imagen de chico malo comenzó a llenar páginas de revistas como emblema de un espíritu marcado por el nacimiento del rock&roll y la teoría de que había que vivir deprisa y morir joven, algo que Dean terminó por seguir al pie de la letra.




Falleció a los 24 años, un día antes de acabar
el rodaje de «Gigante»
Al rodaje de "Al este del Edén" le siguieron casi de inmediato "Rebelde sin causa" y "Gigante", filme que concluyó su grabación un día antes de que aquel joven actor de 24 años falleciera inesperadamente. Por motivos contractuales con Warner Brothers, Dean tenía prohibido participar en competiciones deportivas, especialmente carreras de coches, mientras estaba trabajando en un papel, por lo que tuvo que esperar al final de su última película para subirse a su bólido y dirigirse hacia un evento automovilístico.

Aquel viaje llegaría a su final antes de tiempo, como casi todo en la vida de Dean, cuando su vehículo colisionó frontalmente con otro en una intersección de las carreteras 46 y 41 en el interior de California, un lugar fatídico que ahora es de obligada peregrinación para sus fans. El destino quiso que el actor no pudiera saborear su éxito ya que solo vivió para ver el estreno de "Al este del Edén", producción por la que obtendría una nominación póstuma a mejor actor en 1956, candidatura que repetiría en 1957 por "Gigante". Entre sus amores destacaron Pier Angeli y Ursula Andress, aunque se le atribuyeron muchos, incluso se ha llegado a especular con que fuera homosexual en varios de los libros que se han escrito sobre él desde su adiós, tan fulminante como la forja de su leyenda.

El próximo fin de semana en Fairmount, localidad en la que se crió próxima a Marion, sus incondicionales seguidores volverán un año más a recordar su figura con motivo de su 80 cumpleaños a través de un ciclo de cine con las proyecciones que dejó Dean para el recuerdo, por su puesto, sin arrugas y sin canas.

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07.02.2011